RevisadoSem signo

Tenha paciência

Voltei minha vista mais uma vez para o céu. Ele sempre me ajudava com as respostas que eu precisava ter. Ele sempre me dizia para eu ter um pouco mais de paciência, mas agora eu queria realidade. Ou seria isso ou não seria mais nada.

A pessoa que conheceram no passado não era mais a mesma pessoa. Ela gostava de si mesma e queria protegê-la de qualquer pessoa que pudesse destruí-la, inclusive você.

Mas a madrugada tinha muito mais a me oferecer do que perder tempo nos meus sonhos sem qualquer sentido. Havia tanta luz naquelas pequenas cidades. Havia tantas histórias a serem contadas, e eu me peguei me perguntando mais uma vez o motivo de eu me resumir ao contar a essas pessoas que estão ao meu lado.

Dessas pessoas metidas no ego, no que acham ser melhores em si mesmas e do que qualquer um, e também do ato de saber tudo. Pessoas que endeusam os outros, esperando para o próximo passo endeusar a si mesmas. Tanta coisa que não faz sentido.

Havia tempo em que sonhos eram sonhos, flores eram flores, o amor era puro e límpido, mas que se deixou tomar pelas intrigas, pelas mentiras dos dias e pelos escárnios sentidos. Dava para compreender eu estava matando o melhor de mim e como isso me fazia doente.

Respirei.

Era uma história muito nojenta e que eu tinha ajudado a construir, mas agora eu só queria sair dela e guardar o pouco do bom que teria tido para mim.

Naquela janela, que em breve mostrava o amanhecer, me lembrava também que um novo dia começava e um pedaço da minha história também. Eu estava deixando tudo isso para trás.

Pois eu nunca fui isso e não quero ser como vocês.

Ela está pegando suas coisas.

Ela está seguindo em frente.

Eu senti um vazio naquele instante. Um sentimento de impotência. Algo que só voltei a ter uma amostra há pouco tempo com você, mas que agora…

Mas desta vez não era só o amor em jogo. Eu podia viver bem sem isso. Mas era toda a minha vida. A minha carreira. Algo que eu lutei tanto para alcançar. Algo que eu não poderia viver sem. É como se em segundos eu voltasse a ser alguém sem grandes expectativas de vencer, mas com a esperança de que tudo fosse uma grande brincadeira do destino, onde eu traçava o meu próprio caminho para a conquista. Eu não aceitava perder.

Minha cabeça me presenteou com espasmos de dor. Meus demônios vieram me atormentar. Eu lembrava que, se eu fosse mais jovem, eu hoje diria que precisava de calma, mas comparando com o que tinha acabado de acontecer… Não. Não precisava de calma. Tudo tinha sido feito da maneira como deveria ser, e por isso eu tinha vencido.

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