RevisadoSem signo

Ela aceita por amor

Eu não sei o que tinha me dado. Fraquejei feio. Por pura impulsividade aceitei essa situação para me provar enquanto eu achava que deveria. Acreditei que estivesse aceitando pelo orgulho e por coragem, até porque eu precisava, mas eu sempre soube que não era só isso. Esperei que ele se importasse comigo. E era mentira, não era? Sempre foi.

Podia jogar tudo para o alto e simplesmente desaparecer. Devolver a parte da promessa que já me pagou e sair. Sim, eu teria que aguentar o que minha mãe falaria sobre isso, sim, eu estaria me acovardando e correndo, e sim… eu não estaria pronta para encarar o que viria disso tudo. Valia? Deus, eu só precisava de um pouco de música.

Ele tinha que ter um beijo tão doce? Tinha que ser tão solitário a ponto de eu pensar que ele precisava de mim? E tão bonito que me fizesse esquecer qualquer merda que tinha acontecido entre nós dois?

Posso jurar que tentei recordar todas as nossas mágoas, talvez para empurrá-lo para fora dos meus pensamentos, dizer-lhe algumas verdade dolorosas, mas ainda assim eu queria senti-lo… pulsando… aqui dentro do meu coração. Três anos… Estava quase enlouquecendo. Comecei a acreditar que seria fácil, pouco árduo te encontrar pessoalmente depois de tanto tempo preparando seu terreno.  Fui completamente imbecil. Fingi estar correndo de você, enquanto nesse tempo todo eu estava só fugindo de uma realidade… para você. Remessas doentias. Não queria sentir tudo o que me regurgitava aqui dentro. Ou queria sim?

Lembro-me muito bem de como nos falamos pela primeira vez:

— Se você entrar, eu não vou te deixar sair.

Aceitei sem pensar demais. Para mim, não havia NADA que eu não pudesse suportar. Estamos aqui. Eu deitada em sua cama enquanto você ressona lentamente. Estamos sujos de uma noite de luxúria, desejo, em que dispensamos o amor, a fé e os sonhos. Se Deus pudesse me ver agora, tamanha vergonha sentiria ao saber que obtém uma filha pródiga, perdida nos encantos do Príncipe das Trevas.

Levantei o corpo, decidi ver o dia amanhecer, mas precisava escrever algumas notas de tudo o que corroía meus segredos. Peguei algumas folhas e comecei o ensaio de um pesadelo… real.

Toda vez que eu achava que chegávamos ao fim, eu percebia o quão perto estávamos do começo de tudo. Não tinha como fugir de algo que precisava ser vivido. A questão era como viver e entender como proceder.

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