NarrativasRevisadoSem signo

Quando ela se apaixona pelo duvidoso

Ele sempre me foi uma grande incógnita que até então eu não tinha a menor vontade de resolver. Já me bastava outros. Nunca me aproximei o suficiente. Nem esperei que ele o fizesse. Mas por alguma “armadilha” do destino estávamos mais uma vez de frente um para o outro.

Deveria ser mais um semestre normal, até que… ele começou a me atrair mais do que deveria. Ele tinha uma certa grandeza e, quando eu enxergava isso em um homem… Ah! Era uma merda.  Então foi daí que dei o primeiro passo no ponto de auxiliar profissionalmente. Retive o carinho carnal e o observei quase como um irmão, mas as aproximações… estavam sendo demais para que eu pudesse suportar mais tempo.

Eu já tinha caído na dele. E isso não me fazia reagir bem. Além das pisadas de bola e de ele simplesmente me jogar na friendzone, resolvi superar isso. Afinal, eu não perdia tempo.

Aumentei a frieza. Ele não recebeu isso bem, mas era de se esperar. Mas sabem como é. Você começa a ficar bem, e então ele volta com uma força surpreendente. E aí está você. Quase explodindo de alegria, pois irá vê-lo atuando em uma peça de teatro. Você, como uma pessoa assídua em crítica de atuação, começa a pensar em pegar leve. Ele não deve ser tanta coisa.

Ainda que tenha surpreendido em alguma coisa ou outra. Pois bem. Vamos esperar.

Mas é óbvio que você se atrasa. Afinal, o percurso da sua casa até o teatro são de três horas. Você começa a se questionar a razão de estar fazendo tanto esforço para aquela empreitada. E então… algumas coisas começam a fazer sentido.

Todo aquele lugar apertado, a escada íngreme e estreita, as duas pessoas que me avistam… Sendo que uma era você. Tudo isso fazia parte de um sonho que eu já tive. Há muito tempo. Você brinca, pois está caracterizado. Eu não poderia te ver, e praticamente não o fiz.

Eu estava atordoada demais. Sim, a maior parte do tempo eu senti um tédio. Outras vezes me convidaram ao êxtase, mas nada se comparou à sua entrada. Eu… não podia recuperar qualquer fôlego. Era tudo perfeitamente certo. E eu vi quem você realmente era. Era seguro.

E ao fim da sua cena monumental, na qual eu sabia que toda a sua emoção estava ali, você estava falando de si, da sua profissão e do desafio diário que é educar e formar pessoas, linhas de raciocínio… Você caminhou até onde eu estava. Falou para que todos te ouvissem, e por fim olhou para mim.

Tomou meu rosto nas suas mãos, da mesma forma que toma uma flor, e esse foi o melhor gesto que poderia ter feito em todo o nosso convívio juntos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Botão Voltar ao topo
Fechar