RevisadoSem signo

Tudo volta a seu lugar

Aquele espaço me parecia fazer tão bem. Eu só queria estar com você, pois eu tinha me esquecido das minhas inclinações maldosas. Da mentira que tentei pregar. Mesmo com todas as minhas intenções de deixá-lo impresso apenas no meu passado, enterrar todos os sentimentos puros e verdadeiros que nutri durante meus longos anos ao seu lado, apenas deixei que eles vivessem, pois quando o sentimos sabemos que não podemos fugir. A verdade universal, o amor infinito de uma criança, os anjos amantes que se encontram durante as noites esperando a ressurreição de seus desejos e amores.
Ressuscitando em corpo do jovem-adulto e da adulta-criança, unidos por uma expectativa, sofrendo pelo único amor. Separados por milhas e linguagens, investigando suas raízes, amarrando poucos dados e treinando sua espiritualidade esquecida há tantas décadas.
Por pura telepatia e para trazer ao mundo. O fruto do amor mais puro e frutífero que ambos poderiam vivenciar. Não há nada e nem ninguém que possa impedi-los, pois eles se procuram cada vez mais e se tocam todas as noites, trocando as mais profundas juras de amor, escrevendo em uma linha tênue, mas profunda. Um livro predestinado. Eles se amam.
Comece a escrever… Senão… nunca irá fazê-lo.
Quando eu olho o mar, toda vez eu penso em te ver ali… Mas na verdade o mar é apenas um reflexo dos meus sonhos, e você… foi um deles.
Eu concordei em me manter calada, em deixar em segredo os seus segredos, mas para ser clara eu não quero mais carregar esse peso. Eu vou te amar a distância, pois foi dessa forma que determinamos.
Não penso em entregar meu corpo a outra pessoa. Hoje a minha maior felicidade é fazer alguém ao meu lado feliz, e não necessariamente um amante. E na verdade eu não sei se quero te amar mais. Não sei de muita coisa.
A única coisa que sei é que tudo mudou. Tudo. Até o ônibus que eu peguei para ir te ver mudou. E eu cansei de viver na sua solidão, na sua escuridão, tendo de fingir que nem te conheço, que nunca pertenci aos meus sonhos e que nunca me importei comigo. E agora, como última moléstia, eu vou dizer o que quero.
Eu quero uma vida. Um compromisso.
Acredito que nunca teria lutado metade do que lutei se eu não soubesse o que era meu sonho. E meu sonho nunca foi ter notoriedade, ter grana ou esbanjar excentricidade e egoísmo. Não, o meu sonho sempre foi dividir uma vida com você. Não me culpe por isso. Você pediu para que lutasse pelos sonhos. E eu fiz isso, mas acho que se esqueceu de se incluir quando se referia que um sonho também poderia ser nós.

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