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Em paralelos

“Mantenha-se enjaulado em si mesmo e terá a felicidade que os outros desejam para ti.” Eu me sentia caminhando para a minha própria armadilha. Sim. Eu me preparei para isso durante toda uma vida, mas havia uma hora que nada parecia mais fazer sentido. “Me dê uma surra de dignidade. Me diga se o sorriso deles é verdadeiro, ou melhor, se você sabe a diferença entre um lobo e um cordeiro.”

“Se vivo com a roupa enfiada onde bem sabe, com o propósito de ser amada.” “Você precisa tanto disso, pois não sabe o que é ser amada. Compreenda, querida. Se difere entre qualidade e não quantidade dos caras que levo para cama. Se eu estiver com alguém, estarei certa que me quer bem, e não me medindo pelo tamanho dos meus seios.” O nó está em meu dedo. É uma questão de tempo. Eu te deixo ir, mas quando for muito longe, ele te forçará a voltar e ficar. Doía, mas era pior admitir.

Ele me tirava do sério e mais ainda quando fazia falta. Eu não me permiti procurá-la, mas de qualquer maneira eu sabia que poderia me sentir fraco já simplesmente pelo fato da lembrança. Descobre-se a felicidade em prioridades menores que a ambição.

A melhor coisa que eu tinha tido com qualquer pessoa aquela semana. Eu estava irremediavelmente apaixonada, mas eu sabia que era tolice. Nós já tínhamos conversado. Ele me deixara claro que queria aproveitar a vida, sem compromissos. Muitas vezes ele me irritava, por me fazer acreditar que ele podia sentir algo. Me afastei para não mais me machucar.

Mas toda vez que ele estava lá… era a melhor coisa do mundo. Eu queria poder dizer a ele para começarmos de novo. Que eu era uma pessoa legal. Que eu tinha sonhos também e que as pessoas que mais amei pisaram neles, mas que eu acreditava no amor. E que eu ia continuar tentando.

E que todas as vezes que eu o olhava eu me sentia… a salvo. Mas como explicar isso a uma criança? Por vezes enfezada, por vezes fora da realidade, outras amedrontada.

Eu tinha medo também, mas eu queria ser forte com ele. Porque ele era especial para mim. Ele é.

Ele era.

Só me restava aproveitar o que ele poderia me proporcionar nesse momento. Eu aceitar esse papel de pessoa distante e dura comigo mesma quando, na verdade, em cada pedaço do meu dia, ele estava lá… rindo para mim, como quem diz: eu te avisei.

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