RevisadoSem signo

Os anos mais velhos dele

Mais uma vez eu estava sozinho. Eu tinha esquecido como era poder curtir a solidão. Ter a Mia aqui fazia com que lembrasse de tudo que eu tinha deixado para trás. Talvez fosse melhor ir embora. Ou não. Não seria justo. Eu devia pensar. Me sentei e comecei a olhar pelo telefone algumas fotos guardadas. A maioria de algumas festas, amigos, algumas com meu irmão, e então parei em uma delas. Nós bebês. Ri.

Eu não me sentia velho, era verdade. Me sentia melhor ao longo dos anos. Tudo bem que eu não tinha o mesmo fôlego de 20 anos, mas eu também não tinha a mesma afobação, a inexperiência e o medo de que algo desse errado. Olhar para essas garotas me faz imaginar que outras perspectivas têm as pessoas dessa idade. Elas parecem diferentes do que as meninas da idade delas escolhem para suas vidas, mas ainda assim, nada pode parar o estímulo da corrida.

Me apeguei nas lembranças, nas promessas. Meu irmão e eu fomos desenganados sobre o significado de amar alguém e resolvemos que, se o amor de fato existisse, viveríamos isso juntos.

Nós rimos. Ambos desesperados por termos sido descartados por nossas parceiras. Ainda que ele não dissesse, eu sabia que acreditava no amor. Sempre acreditou. Como eu, sempre falou em ter filhos, ter uma família, mas isso seria plano futuro, e não uma cobrança para aquela hora. Ele sabia que ainda não era a hora.

O coração de meu irmão endureceu com a caminhada. Nenhum dos dois encontrava alguém para preencher o vazio. E, sim… é horrível estar só, mas de qualquer jeito, sempre tinha a banda. Nós poderíamos nos dedicar exclusivamente a isso, já que o vazio dentro do peito nunca era satisfeito por ninguém que aparecesse espontaneamente nos nossos dias. A luxúria era nossa companheira.

Até duas garotas, investidas de armadura aparecerem. Eu admirei a força da primeira naquele momento, como admiro até hoje. Sei que errei muito com ela, mas… aquela garota me fascinou. Ela já amava o meu irmão desde então. Eu podia sentir. E então invejei, pois ninguém tinha feito isso por mim. Lutado por mim.

E depois de certa insistência, a segunda conseguiu despertar para mim e tentamos nos adaptar. Nos entender. Nunca tinha parado para pensar nisso, mas o que elas tinham conseguido e como lutaram. Como lutam pelo amor, como lutam por nós é algo extraordinário. Nem eu nem ele pudemos fazer isso em quarenta anos.

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