RevisadoSem signo

Ela entra para o teatro

Ninguém poderia adivinhar, guruzinhas e guruzinhos. Passos para dentro do teatro. O foco está nos pés caminhando. O foco sobe, e em breve mostra o rosto. Teatro iluminado pelas luzes de emergência (caso as tenha) e pelo foco estabelecido no palco, onde o ator está atuando. Pega-se o foco das costas da atriz, onde pode-se ver o ator no palco. Ela caminha até a primeira fila de poltronas, onde senta-se despojadamente. Um foco para a atuação do homem em cima do palco.

Volta-se para ela, que parece mais tranquila e divertida em ver a cena. O foco volta-se para seu rosto. Agora aparece algum tipo de horror.

Lentamente o foco desce para mostrar suas mãos tocando o abdome, depois deixando-o para fazer aparecer o sangue e uma ferida. Ela está de costas para a porta. Agora do lado de fora da casa. O ator está dentro da casa, na sala, com as luzes apagadas, deixando apenas que alguns feixes de luz entrem. Ele está deitado no sofá. Ela abre a porta, entra e passa por ele. Não o olha, enquanto ele o faz. Ele a segue, e ambos sobem as escadas. 

Foco na porta fechada de um quarto.

As mãos da atriz abrem lentamente essa porta, e é possível ver que o quarto tem tons claros e vista para o exterior. O foco está na atriz caminhando para dentro do quarto. O ator atrás dela a segue de uma distância segura. A atriz desliza a mão pela parede. Ela para quase ao fim do quarto, encarando a vista de fora. Seu rosto é colocando em foco mais uma vez, e também de quem está atrás dela.

O ator levanta lentamente seus braços, flexionados, mostrando estar tingidos de farinha e talco. Ela se vira para ele. O foco fica entre os dois. Ela se aproxima dele. Olha para as suas mãos, que estão tingidas de sangue. Seu rosto mostra dor e horror. Mas logo o encara sem força e superioridade. O foco fica nos dois durante muito tempo. Ela encosta a testa na dele e fecha os olhos. Logo se afasta e levanta os braços flexionados com as seguintes inscrições nos antebraços: “Bastard” “Seed”, em cada braço. 

Ninguém poderia adivinhar, mas eu tentei. Tudo fazia parte de uma imaginação, de uma criação minha e que eu não queria dividir com mais ninguém. Me poupe, mas era assim que me fazia bem. Era assim como eu imaginava, criar, e queria que fosse. Era assim que a mente de um artista costumava ser. 

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