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Ela conheceu um profeta

Eu tenho algumas visões suas como profeta. Na verdade, eu as tive sem ter a certeza de que você o era. A confirmação veio até mim assim que eu li a descrição do seu nome. Foi algo simples e que nem precisei trabalhar muito em cima para poder escavar se era mesmo verdade.

Vocês eram praticamente iguais em forma física. Como profeta, você era um pouco mais alto. Você andava com um cajado feito em madeira e que tinha um formato curvo na ponta, como se desse a entender que era uma cobra. Vi pessoas querendo bater em você, e eu estava presente nesse momento. Entrei na sua frente para evitar que lhe jogassem pedra, mas o Pai sempre teve muita misericórdia por você. Nem ao menos te machucaram. Pararam no mesmo instante que lhe levantaram a mão e a pedra. Você nem antes nem depois tinha reagido. Ficou em silêncio, um tanto curvado e próximo a uma pedra perto de uma árvore, como se aceitando o próprio destino. Aceitando as provações que Ele tinha a lhe oferecer.

Naqueles tempos você foi saqueado, preso e sabe-se lá mais o quê. Acredito que nessa vida eu não tenha definitivamente encarnado, mas apenas me colocado como humana para poder assegurar que você estivesse bem. Pelo menos é o que eu acho, pois não consigo acessar memórias de nascimento como eu consigo em outras vidas. Você tinha as runas na mão e sabia como usá-las para consultar seu destino. Desde aqueles tempos, havia uma arrogância no seu modo de falar, e não foi à toa que você quase não cumpriu o destino de Nínive e também deixou algumas confusões e mal-entendidos por onde passou.

Seus modos eram grosseiros, brutos. Você vivia mais no deserto do que parado em algum acampamento. Seus tempos como profeta foram praticamente todos sozinhos, e você andava muitas vezes com uma cara fechada, com a testa franzida. Nessa vida você não se voltou praticamente ao lado sexual, mas reconheceu em mim a mulher e um porto. Lembro-me claramente de você me agradecendo por eu lhe trazer água enquanto você morria de sede em uma das suas caminhadas em sol quente, lembro-me de você também enfiando um pão na boca com uma tamanha fome, sujando toda a cara… “Bons tempos.” A voz também quase não mudou, mas era um pouco mais grossa. Acredito que você teve algum problema de estômago ou fígado que o tenha levado a óbito, mas não me é claro. Só sei que houve algo com essas regiões que te fizeram ir. Como profeta, você cumpriu praticamente tudo o que lhe foi designado, mas você optou por vir mais uma vez para experimentar o humano.

Sua curiosidade sempre foi genuína, desde tempos antigos. Sempre quis saber muito e de tudo o que cercava as pessoas.

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