RevisadoSem signo

Dúvidas na cabeça dela

Me prove um pouquinho da sua verdade. Se você está lendo mesmo isso. Se está aqui e está se acovardando, então pare o que está fazendo. O que quer por aqui? Não achou finalmente a mulher que te desafiasse? Nesse seu poço de vexames e de pouco ouro?

Mas, olhe, há tão pouco tempo, me mostre um pouco da tua fúria. E vamos ver do que você é feito, se de sarcasmo e sacanagem ou de um homem que busca encontrar a si mesmo em si mesmo, e não em brinquedos ocultos para vigiar vidas alheias.

Estou esperando que me convença a ficar. Estou esperando que se decida. Você gosta de brincar, mas a vida sabe colocar de cabeça para baixo esses tipos de pessoa. Você não é mais um adolescente, velho amigo. Não esqueça que a força da gravidade age. Você gosta de brincar? Então veremos isso.

Me mostre um pouco da sua fúria, se apresente. Seja corajoso. Me mostre o que aprendeu da vida. Me diga suas intenções. Eu direi as minhas. O covarde ou o “caçador de sonhos”. Saiba reconhecer os bons soldados. Se apresente. Estou esperando.

E eu me perguntava se essas pessoas bonitas tinham competência para cuidar de tudo aquilo. Por muitos anos da minha vida eu sonhei em trabalhar com isso. Eu encontrei isso tudo nele, uma oportunidade de poder fazer isso, e me dediquei quase que exclusivamente, pois eu acreditei que eu poderia, mas agora… eu só vejo uma lacuna sem respostas. Ele não queria que eu trabalhasse para ele. Ele não assumia os riscos de chegar até mim como homem, como alguém que sabe o que quer, quando sabe que perder aquela mulher é como perder o próprio fôlego quando você tenta retornar à superfície após um mergulho, mas com ele não tinha nada disso. Era tudo muito instável. Eram dúvidas em cima de dúvidas. Eu não sabia o que eu estava fazendo aqui. Eu não sabia o que de fato ele queria comigo.

Eu seria capaz de desejar a sua felicidade se ele fosse honesto comigo. Se ele dissesse:

“Você apenas me fascina. Eu gosto de ter esse brilho comigo, mas, querida… Não é nada mais do que isso.” Ou:

“Eu gosto de brincar com os sentimentos dos outros. Os seus são tão divertidos.” Ou então:

“Eu amo você, mas eu não consigo desatar meus pés para correr até você. Você é muito importante para mim.” Ou:

“Simplesmente pare de viver sua vida e pense em mim o tempo todo. O meu ego gosta disso. Eu vivo para isso. Eu sou quem sou.”

Mas nada. Nunca consegui arrancar qualquer fragmento, qualquer diferença que me fizesse me dar uma pista para dizer o que eu estava fazendo aqui hoje.

A dor da dúvida era cruel. Ela me fazia andar ou parar para esperar muitas vezes, mas ela também matava o melhor de mim.

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