RevisadoSem signo

Deixe ela se desculpar consigo mesma

Me perdoe pelas coisas que eu disse. Eu pensei. Sim, eu exagerei e ainda há pontos que persisto, mas o caso é que eu não vou desistir. A menos que você me diga olhando para mim que quer se afastar, que não me quer mais ao seu lado. São as armas que eu tenho e eu vou lutar por quem eu gosto, mesmo que eu tenha que enfrentar todos os meus demônios.

Me deixa consertar as coisas. Deixa eu me desculpar.

Havia muito tempo que eu não visitava as minhas lembranças. A garota sem senso de estilo, postura correta e que não sabia do próprio potencial. Ah, ela ouvia a sua mãe… todos os dias.

Sentada naquela mesa, uma de frente para a outra, comendo doces, estipulando assuntos… discutindo condutas que sempre a mais nova estava errada e tinha de mudar. Me aproximei da menina, beijei seu rosto:

— Você não vai ser grande coisa, querida — falei.

Arrastei aquela toalha de mesa e derrubei talheres, frutas e pratos, mas também… o próprio muro que eu tinha construído e me separava de uma nova realidade. Eu sabia que era um sonho, mas mesmo assim eu queria saber o que viria depois. A pele estava arrepiada. Cometeu um erro, mas sempre foi óbvio que iria falhar. Por causa do sonho, a noite se transformou em meros cochilos. Tenho de admitir que… — riso contido — contei as horas para esse momento. Aliás, na verdade… Eu, há bastante tempo, venho esperando que isso aconteça.

Agora tudo pode acontecer. Simplesmente é como se tantos anos acompanhando um trabalho desejado tivessem voado e me sugado.

As minhas mãos estavam geladas. Mal ouvia a playlist que planejei arduamente para hoje. Nada conseguia tirar a tensão do que viria nas próximas horas.

Coloquei nos dedos um símbolo que me traria sorte, e até… bons segundos na sua presença.

Se ela era a luz, eu nada mais que poderia ser sua oposição. Bem, vamos lá. Vamos ver o que de tão especial você tem, pequena. Ou se a pura falta de novidade me fez depositar muitas expectativas onde nunca existiu.

Prorrogar.

Passos caminhando para apenas um destino. Alguém correndo. Ele buscando as malas. Ela se perdendo do caminho certo. Mas não havia escolha maior do que se deixar enganar por um amor programado. Até ela perceber que a correria era pelo mesmo motivo que tinha dentro da mente. Pensou que nunca fosse chegar, mas agora… nada poderia tirá-la de lá. Empurrou alguns, deixou cair os seus receios. Se desesperou quando não encontrou ninguém. Sentiu vontade de chorar até lembrar que agora poderia se encontrar.

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