NarrativasRevisadoSem signo

Deixe as portas abertas

Poucos dias depois retornei as ligações de alguns amigos com alguns poucos desabafos sobre a minha vida.
Estava um pouco confusa, dolorida, e eu nem sabia o que aquilo poderia ser. Pensei muitas vezes que isso poderia acontecer. Perder um grande amor, vê-lo nos braços de outro e saber que a derrota não foi por falta de luta.
Eu sabia que deveria deixá-lo livre e pronto caso quisesse sentir o calor dos meus braços, mas ele nem sempre volta.
Enquanto eu assimilava as peças, falava com minha amiga. Decidi dormir no quarto que havia alugado naquela tarde tão fria, mas que queimava a pele se eu me atrevesse a colocar os pés fora dela.

Eu tenho quase a certeza que é você quem eu sinto todas as noites tocando as minhas costas e envolver minha testa e meu corpo com a mão e braços.

Acordei com o lamento da coruja que devia estar por perto da janela do meu quarto. Demorei a perceber que já era bem tarde. Estava escuro, porém a luz da lua conseguia iluminar todo o ambiente. Chequei o celular para conferir a hora e certifiquei que passavam das dez.
Não havia mensagens no celular.
Foi o que notei quando não tinha qualquer recado de alguém ou qualquer alma preocupada comigo.

Ignorei o ronco da minha barriga e voltei a dormir. Era apenas um dia ruim. E o efeito da morfina só começava a passar.

No dia seguinte acordei um pouco mais disposta. Novamente chequei meu celular. Dessa vez encontrei algumas mensagens. Pessoas do trabalho, alguns caras de puro interesse carnal… Ele.
“Onde está você?”

— Em um lugar onde você não pode entrar, querido — respondi baixo e deixei minhas mensagens abertas.

Por mais que eu quisesse que você chegasse e arrombasse essa porta, quantas vezes eu falei para você que não queria mais que você estivesse aqui, mas no fundo eu estava só mentindo para mim, porque era algo que eu queria demais? Eu sei que você vai me recriminar, mas nada posso fazer. Estou testando você. Tentando ver se você é capaz de aprender a lutar de uma forma justa, honesta, digna e direita. Quero saber até onde você é capaz de ir ou até onde o seu silêncio e sua falta de vontade podem me fazer sofrer.
Eu gosto muito de você, só que… para mim é meio doloroso demais ficar indo atrás, me rebaixando por alguém que já pisou demais. Será que você não sente um pingo de remorso na sua consciência? Será que não se coloca no lugar do outro e lembra que isso pode acontecer contigo também? As pessoas são tão burras, mas tenho a sensação que você consegue ser mais do que todas elas. É na dor que você me coloca, mas agora chegou a minha vez de virar essa mesa ou para te esquecer ou então para marcar a sua vida com tudo o que eu te ensinei.

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