RevisadoSem signo

Conversas de elevador com ela

“Boa tarde.” Foi assim como tudo começou. Era para ser uma boa tarde, de fato, mas quando eu li meu horóscopo no site do Guru Astral vi que muita coisa poderia acontecer e talvez eu devesse me preparar para mais do que uma boa tarde. Eu olhei para aquela pessoa que estava ali. A gente já se conhecia. A gente já tinha mais do que se conhecido, para ser mais exato. Caramba… Era tão estranho quando a gente precisa encarar certas pessoas que para nós tinham sido tudo e agora tinham voltado a ser meros estranhos.

Estranhos que a gente conhecia. Não aquele estranho que você nunca viu na sua vida e que sorri com tamanha sinceridade quando ele ou você tomam a iniciativa de acabar cumprimentando. É. Muita coisa passava pela minha cabeça, mas o que eu queria mesmo é que o tempo no elevador passasse o mais rápido possível, ou então tivessem aquelas pessoas que ficam se apertando nos andares para tudo isso parecer um pouco menos constrangedor. Inclusive, eu iria tentar me lembrar de falar isso com o síndico hoje, se eu não estivesse ocupada demais fugindo das minhas próprias emoções.

“Como você está?” Bom, esse era o típico início de uma conversa casual para tentar quebrar o clima tenso. Dentro do meu horóscopo no Guru Astral tinha falado que eu deveria medir as minhas palavras, e era justamente isso que eu ia fazer. Com a cara enfiada no celular, eu ainda me perguntava se eu deveria responder que estava tudo bem ou se eu deveria simplesmente falar dos turbilhões de pensamentos que estavam dentro da minha mente.

Ainda bem que eu estava com o fone de ouvido, pois isso me daria mais tempo e mais uma desculpa para dizer que não escutei ou simplesmente ver se ele insistiria em continuar com a pergunta. Ele olhou para mim, e eu sabia que seria o momento para reagir. Ou eu falava ou teria que fingir uma personagem. Seria o que Deus quisesse, e que esse elevador não parasse! A minha boca secou, e meus olhos pararam nele. O elevador parou. Meu Deus. Estávamos presos.

Porém, a porta se abriu e algumas pessoas entraram, tão apressadas que não esperavam quem tinha que sair tocar o pés no chão do térreo. Ele, por sua vez, acabou saindo ainda me olhando e dizendo tchau. Eu não respondi uma palavra sequer, no que para ele deve ter sido um monólogo longo, mas não sabe ele que dentro da minha mente vivemos basicamente uma conversa a puros gritos típicos de novela mexicana. Era uma boa tarde. Foi o que disse o meu horóscopo no Guru Astral desde que eu soubesse escolher as palavras… Escolhi tanto que terminei engasgada com elas. Tomara que a tarde ainda seja boa.

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