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Silencie ou deixe silenciar

Ela caminha com passos fortes pelas ruas da cidade. Junto dela existem milhares de jovens a acompanhando. Carregam bandeiras, cartazes e os mesmos pés sujos de um passado calado. Alguns conhecidos a cumprimentam, a abraçam e a saúdam por vir compartilhar uma luta.

Ela sorri com satisfação. Tem medo nos olhos, mas ao mesmo tempo… muita coragem. Seus jeans escondem a curvatura de uma menina pequena e com grandes ideias. Não esperava e não sabia que seria capaz de modificar sua era. Quase não acreditava mais e carregava no peito esperanças de estarem todos errados.

“Me escute. Me leia…

O silêncio que mata. O silêncio que investe.

O silêncio que esconde. O silêncio que corrompe.

O silêncio que responde. O silêncio que envenena.

O silêncio dá pena. O silêncio que condena.

O silêncio que dói. O silêncio que finge.

O silêncio que nota. O silêncio da morte. O silêncio que vive.

Silencie ou deixe silenciar.”

Estava na hora de alguém mudar alguma coisa. Fechou os olhos por um momento para sentir a brisa passar. Seus amigos também saíam do chão e das suas próprias realidades. Eram a mesma pessoa, mas em situações diversas. Aquele homem que amava a olhou e sorriu de volta. Estava se perdendo na sua própria vida. Olhando… enquanto a outra guerreava pelo seu próprio futuro. Estávamos em todos os lugares e não percebíamos. Mas ela não se deixava ser vista. Seu cabelo caía nos olhos, só permitia ver como sua boca estava vermelha por um batom que marcava dolorosamente os lábios.

Assim como meus olhos poderiam ficar assistindo por uma eternidade a forma como se portava para mim, minhas mãos imploravam para uma carícia. Me retornou o olhar.

— Eu amo você — falei.

Meus olhos congelaram sobre aquelas palavras… Eu amo você. “Eu amo você.” Aquela ilusão que eu não podia mais acreditar. O que ele tinha dito foi o que sempre desejei que pudesse dizer… Mas o que nunca consegui acreditar. Era algo que não podia acreditar, não podia acreditar… Não podia acreditar. Podendo ser esperança ou a própria solidão. Aquelas dúvidas atormentaram dias a ponto de não conseguir silenciar a mente.

Eram boas escolhas que poderiam ser feitas, mas que podiam traçar um caminho totalmente reverso. Não tinha para onde olhar ou se guiar. As lágrimas escorriam. E insistiu em enxugá-las como se nada tivesse acontecido. Pois era o que fazia para conseguir remediar o que tinha dentro de sua mente.

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