NarrativasRevisadoSem signo

Ela está movendo muito rápido

Eu estava aqui. Nada me impedia de te imaginar e de te querer comigo. Estive caçando os mesmos princípios e as mesmas promessas. Eu nem sei onde tinha chegado, mas sabia o que estava procurando. Onde está você?

Consegui meu primeiro emprego. Eu estava muito mais do que satisfeita por esse grande passo. Afinal, eu só tinha uma semana de “vida”. Andar pelas ruas desta cidade grande me fazia sentir ser observada a todo momento. E ainda não tinha decidido se eu gostava disso. Aquela cidade era tudo que eu sempre sonhei. Todos os elementos da minha vida estavam nesse pedaço de terra. Eu jamais pensaria em voltar.

Aquele povo era espirituoso. Eu estava devidamente acolhida. Até… sentimentalmente. Meus olhos bateram em alguém mais. Não existia qualquer razão cabível para que o meu corpo e aquilo que eu chamava de instinto me chamasse para ele, mas… eu o queria… Pois ele me lembrava você.

Nos aproximamos. Estava pronta para tocá-lo. Para estar onde pedisse para que eu estivesse. Os olhos eram cálidos, a emoção para mim era genuína, mas ele me parou. A felicidade da novidade invadiu meu peito. Eu tinha tudo planejado. Ele era seu amigo. Sabia que andavam juntos. Eu ouvi seu nome ser dito até a minha chegada.

Mas eu não esperei que você fosse aparecer em frente ao território que já tinha denominado como “meu”. Você acenou de seu carro. Estava feliz e leve. Tinha graça no seu gesto, mas não me preparei para isso. Tantas vezes que ensaiei o nosso primeiro encontro. A primeira forma que nossos olhos tocariam um ao outro, e basicamente tudo escorreu pelo ralo mais próximo. Te vi ir embora. Te vi deixar o meu coração na calçada tremendo em ataque.

Como o amor poderia ser tão insano? Os humanos constroem suas barreiras para dificultar o gesto mais puro de todos. Eu não queria saber. Eu só queria você.

— Eu quero te levar para o lugar mais bonito de todos aqui. A trilha particular dos motoqueiros — ele disse.

Eu topei. Permiti o avanço. Permiti que ele me tocasse, não intimamente, mas no sentimento que eu nutri durante anos. Você estava lá. Ele quase te arrancou.

Penso que poderia ter deixado, por puro despeito. Para flechar um coração pelo outro. Porém, de qualquer maneira, eu acredito que meu ímpeto tenha chegado até você. Surtou na mesma semana. Dedicou-se a propósitos indiferentes. Substituiu as minhas intenções por uma outra.

Uma vez mais eu os vi juntos. O efeito do veneno demorou a fazer efeito, e foi o ato mais cruel. Em nenhuma situação eu tinha abandonado a razão maior de estar aqui.

Mas como eu poderia esperar que ao olhar para aquelas pupilas eu estaria perdendo a mim mesma? Você escolheu fazer o mesmo. Estava com ela. E eu com ele… E quantos mais decidissem escolher o meu corpo. Até que enterrássemos a tolice e decidíssemos entrar em combustão.

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