NarrativasRevisadoSem signo

Ela te avisou

Os seus olhos são grandes, mas não o suficiente para te fazer enxergar a grande besteira na qual está se metendo. Mas um dia eu sei que não terá mais como fugir, e todas as suas contas serão cobradas, e as intenções também.

Não faço parte das suas amizades, e talvez eu me sinta deslocada em fazer. Pois eu sou diferente disso tudo. Eu sou diferente dos seus propósitos. Eu não quero um rótulo “Bad Girl” da esquina tatuado na minha testa para dizer que pertenço a algum lugar. Não pertenço a ninguém, e muito menos a vocês. Eu sou livre. Eu resolvi me provar isso. Além de eu não ter que provar nada para ninguém. E agora estou aqui. O que será que você seria capaz de fazer quando me visse pela primeira vez? Pois eu sei que, se você recuar, nem penso duas vezes em apagar todo o trauma que isso me causou. Minha mãe uma vez me disse que sua felicidade é saber que estou sofrendo, pois você também está. E ambos estaríamos compartilhando o mesmo sentimento.

Mas eu não quero isso. Eu quero rir. Eu nasci para sorrir e para levar felicidade às pessoas. Estou desembarcando aqui. Em breve estaremos juntos. As ruas desta cidade são tingidas de história. Eu posso resgatá-las a cada passo e colocá-las em papel machê.

Ele tinha fragmentos de campo. O sol parecia refletir uma luz que era só dele. E eu tinha certeza que não tinha visto nada tão bonito. Mil imagens me passaram pela cabeça. Se um dia eu tivesse que escolher… seria difícil. Porque eu nunca tinha visto nada mais lindo na minha frente. E eu sabia que isso destoaria totalmente do meu mundo escuro.

Poderia admirá-lo durante eternas meias-noites. Era como uma pintura recém-descoberta que me dava vontade de ficar, de sentar no chão… De viver a minha adolescência não deixada. Minhas mãos estavam sujas. Eu olhei brevemente para elas. Ele riu como se entendesse o que eu estava pensando. E ele entendia. Caminhou para longe. Talvez esperasse que eu lhe tomasse o braço e diria que o acompanharia. Mas não… Eu não faria isso.

Existia muito que me impediria de fazer. Tirei algumas fotos que me pediram.  Eu olhava para aquelas poses, mas só queria olhar para onde tinha ido. Vi que se sentou no banco mais afastado da porta. Contemplava a vista, e mais uma vez estive em outro plano. Um plano que eu nunca seria bom o suficiente para ocupar. Vesti meus óculos e me deixei olhá-lo uma única vez.

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