RevisadoSem signo

Ela precisa descobrir quem realmente é

Eu não saberia até onde poderia ir, mas de qualquer forma eu ultrapassei todos os meus limites para estar onde você está e te amar para sempre. Era uma outra pessoa à minha frente. Para impedir que a antiga voltasse, e ainda mais forte.

Quem realmente sou eu…

Era uma pergunta que eu também não saberia responder. O eu de agora é impulso dos próprios desejos. Talvez seja a resposta mais cabível.

Mas e os desejos? Quais seriam eles? Uma noite não vai machucar ninguém, garota.

Então eu ouvi:

— Você não gosta de muitas coisas nesse mundo, mas ainda tem que aprender a engoli-las e suportá-las. A velha história do limão e limonada, ahn?

— Seu poder de convencimento está impressionante hoje.

— Você mal vai acreditar quando descobrir o que ele pode fazer. Venha, vamos dançar. — Me puxou sem me dar escolha.

As músicas eram realmente penetrantes. Eram apenas as mesmas que se ouvem nas rádios, só que de forma mixadas, o que me trazia mais familiaridade e conforto. Era maravilhoso.

Eu estava me perdendo naquela pista de dança e sabia que o efeito da bebida já estava começando a me atingir. Fechei meus olhos e senti o que o ritmo queria me dizer, para onde deveria me levar… Não sabia mais quem eu era. Por acaso algum dia eu soube de verdade ou apenas acreditei muito que sabia? Se eu tivesse ouvido aquela voz antes de me virar repentinamente, eu jamais teria feito. Era o meu passado defronte a mim, e eu prometi que estava acabado. Apenas um encontro entre dois velhos amigos.

A maneira como sublinhou aquelas duas palavras sugeria uma pitada a mais do que seu real sentido. E não estava errado. Mantive o silêncio. Eu ainda me achava insegura. Talvez ele fosse apenas o efeito do álcool no meu sangue e aquilo não estivesse acontecendo.

A vida anda para a frente. Não temos como remoer um passado morto.

Chamei um táxi. Encostei minha cabeça na janela do carro e tentei tirar da minha cabeça o que tinha acabado de acontecer. Já tinha passado tanto tempo. E ele me despertava ainda as emoções mais escondidas dentro do meu coração. Apertei o casaco em volta de mim. O frio poderia ser puramente psicológico, mas eu sabia que não era. Havia anos eu fugia das suas fotos, das suas notícias, dos seus amigos, e isso esfriou meu peito. Congelou uma dor e uma falta que me iludiu ao me fazer imaginar que todo o meu amor tinha se esvaído. E bastou apenas um olhar, um toque para que todo o buraco que eu soterrei me sugasse como areia movediça.

Suspirei.

Talvez tudo estivesse melhor pela manhã. Eu precisava de um descanso para me descobrir.

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