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Alucinações

Eu poderia perdoar todas as suas faltas, mas tinha medo de que as cometesse continuamente. Testando olhares. As luzes da sua casa estavam fracas, e eu não me importava. Tentei suportar a vontade, esquecer que consegui seu endereço roubando seu registro no centro de informações ao estarem fora. Poderia ter desistido ao saber que meu oponente iria batalhar pelo mesmo objetivo, mas não.

Toquei sua campainha duas vezes. Mesmo com seus olhos vermelhos, a minha felicidade era imensa por te ver na minha frente. Ele nunca me amou. Eu só fui a droga de um objeto que gostava de usar quando lhe era conveniente. Não era como as outras, sabia disso, mas também não fui especial. Havia desgosto no meu corpo. Certas atitudes nunca deveriam ser pensadas. Quando toquei os pés no lugar que denominava casa, quis voltar. Era o dia ideal para escrever uma canção. Existiam fotos das suas curvas e do seu sorriso por todos os cantos, mas os olhos me denunciavam.

— Você sorri e me chama de idiota com tanta facilidade que é quase bonito e aceitável.

Um espelho. Quantos anos mesmo demorei pra perceber que só uma família era a chave do sucesso? Sempre pensando em aparentar… nunca ser. Fiquei em silêncio. Mergulhou tanto nas suas ambições que esqueceu o verdadeiro sentido. Está na hora de provar isso. As suas palavras já não possuem mais valor.

Fechei forte a vista. Desapareceu completamente. Sentei à meia-luz. Com a mão fresca e o coração em desalento, pus-me a escrever. A noite foi confusa. Uma série de sonhos invadia o meu descanso. Mistura de cenas da noite anterior e efeitos reprimidos. Dormir era minha melhor opção quando sofria algum dano.

Levantei, e não eram nem seis da manhã. Coloquei uma roupa atlética. Saí para correr. Os pensamentos ainda me seguiam. Era como se alguém me olhasse e medisse meus passos. A velocidade aumentava e os meus medos sugavam minha respiração até me forçar a parar. Me recolher a me forçar a voltar. Uma ducha poderia ser outra alternativa.

Fechando os olhos. “Te perdi por um longo tempo, e não vai acontecer de novo. Eu te amo.” Dias e semanas se esvaindo como água entre as palmas. Enquanto isso, um furação de sensações confusas me invadia. É complicado. Para quem presencia nossas cenas, não entenderia o amor e prazer que ardem tão desiguais e da mesma forma.

Eu poderia ou teria de ter apenas uma opção? Ah, cá estava aqui. Com os pés perto a um vaso, recostada à janela e acompanhando a chuva cair, levando minhas dúvidas e ilusões.

Restava esperar.

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