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A gravidez e ela

Um filho seu na minha barriga. Um toque. A minha posse. Tudo isso que… muda o meu mundo. Desde que você entrou nele. O que você sempre esperou. Um menino… Por certeza, que chamaríamos de Arthur, e seria o rei do nosso lar. Debrucei-me nas nossas lembranças, nas nossas fotos separadas para o nosso casamento. Sonhei com nosso primeiro encontro e como me amou com os olhos na primeira vez que nós dividimos a mesma cama. Mas esse é o próximo capítulo do meu diário. Eu tinha a minha turnê para fazer. O mundo conhecia meu nome. E do lado dele tinha o seu.

Eu estava perdida nos meus sentimentos. Sentada no meu sofá, avaliando situações como era meu costume. Tinha sido um dia extremamente útil. É óbvio que estava desesperada e cogitava voltar para casa, mas não iria acontecer. Não agora. Antes eu precisava me estabilizar e sentir o gosto dos meus sonhos. E isso estava bem perto.

Mas era um mundo em que eu tinha uma cadeira cativa e que deveria ocupar o mais breve possível.

Um mundo em que eu tentava fugir com todas as minhas forças, pois eu duvidava do meu poder em assumir o comando dessa família. Onde a minha curiosidade em saber se daria certo era maior que a vontade de ir embora. Família que só eu tinha o poder de “manter junta”. Suspirei.

Eu continuava sem saber o que eu estava fazendo ali, mas de toda maneira, eu ainda estava fazendo.

E me perguntava, dentre muitas das minhas questões, se um dia escolhesse outro homem que não ele, se haveria uma grande guerra para destruí-lo, destituí-lo ou se simplesmente aceitariam isso desde que eu estivesse ali.

Não era uma pergunta que seria respondida agora, eu sei, mas era algo que me atormentava havia um bom tempo. Enquanto isso… eu sempre voltava. Em conectar sua frequência na minha para fazê-lo lembrar o quanto nos amávamos e que nada nem ninguém nos separaria. Tínhamos um destino a cumprir. Nunca vou deixar alguém se colocar entre nós.

“Mas não era questão de sorte… Apenas questão de tempo…”

Para que tudo voltasse a ser como antes e formássemos a bela família que éramos.

Preferi não arriscar.

Segui meu plano inicial e sempre deixei que a força superior decidisse por mim. Demorei a aceitar perder as rédeas do controle da minha vida, mas, quando finalmente o fiz, vi que não poderia ter feito melhor. Estava cansada de me atrapalhar com meus próprios pés. Me perder com tanta gente e ter tanto trabalho para voltar…

Eu queria um rumo.

No meu trabalho, eu iria encontrar isso. Fazendo e empreendendo de uma forma que nunca imaginei que faria. Como meu irmão já tinha feito e como admirava. E quando chegasse a hora… o meu sonho mais particular de constituir uma família também chegaria, e eu seria verdadeiramente feliz.

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